Silvio Sibemberg-13-03-20

PRECIFICAÇÃO À BRASILEIRA

Por Silvio Sibemberg – Empresário especialista em varejo

Vou dar como exemplo um prosaico tempero usado em nossas cozinhas. Paguei R$1,50 (um real e cinquenta centavos) por um saquinho de 5g de cravo da índia. Não ha engano, são 5g mesmo, uns vinte pedacinhos da preciosidade. A marca que ensaca o produto é a QualiTemp – qualidade em chás e temperos, diz no rotulo. O mercadinho onde comprei é um igual a tantos outros. Até ai tudo bem. Agora vamos fazer uma conta simples. Uma regra de três elementar nos diz que o preço do quilo da iguaria seria de, pasmem, R$300,00 (trezentos reais). Impressionado com o resultado fui consultar preços dessa especiaria no atacado. Encontrei por R$ 550,00 (quinhentos e cinquenta reais) o saco de 10 kg. Quer dizer, R$55,00 (cinquenta e cinco reais) o quilo. Calculem o tamanho do lucro das empresas que embalam esse ouro em pó. Ou do mercadinho. Tanto faz. O certo nessa equação é que estamos pagando R$300,00 (trezentos reais) por quilo do que tem preço inicial de R$55,00 (cinquenta e cinco reais).
Não obtive o preço que o produtor vende ao atacadista, mas a essa altura da para perceber que deve ser a metade dos preço pago pelo distribuidor. No máximo. Esses sempre ficam com a fatia menor.

Não tenho nada contra o lucro fantástico que esses elos da cadeia estão obtendo. Estão na deles e vivemos em uma sociedade capitalista de livre mercado. Nem importa quem fica com a parte do leão, se o produtor, o embalador ou o mercadinho. Devem ter lá seus custos e percalços ao longo do exaustivo e longo processo de plantar, embalar e expor os cravos na prateleira.

O que chama a tenção é nossa total falta de percepção de valor. Afinal estamos falando de apenas R$1,50 pelo tempero que precisamos para a ambrosia. Quem vai se preocupar em fazer conta para chegar ao preço real que esta sendo pago por essa joia? No Brasil quase ninguém. Mas experimentem fazer esse mesmo raciocínio e cálculo em um pais de moeda estável e onde as pessoas dão o real valor a dinheiro.

Lá fora moedas, ao contrario daqui, não são colocadas nos cofrinhos das crianças ou jogadas no vasinho da cômoda. Valem e são usadas. Ninguém deixa de dar o troco exato independente da quantidade de moedinhas necessárias. Não tem essa de “aceita uma balinha no lugar de dinheiro.
Aqui a “balinha” essa acaba, na realidade, sendo “vendida” por igual ou maior valor/ lucro que o saquinho de cravos. Pensem nisso.

Que é cultural sabemos, mas precisamos aguçar nossa percepção e transmitir aos responsáveis por essa cadeia de distribuição nossa incredulidade com os preços realmente praticados.
Prestemos mais atenção e vamos nos surpreender com os achados do tipo.

 

 

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