Paola Müller – 03.09.2021

CONTE SUA HISTÓRIA COM ESTRATÉGIA E VERDADE

Por Paola Müller, Head of Strategy da Brivia

A humanidade sempre contou histórias — e teve fascínio por ouvi-las. Ao redor de uma fogueira, sob uma noite estrelada, fábulas e jornadas de heróis foram passadas de geração a geração ao longo dos séculos. A essência desse hábito segue até hoje: mudam os meios, as formas, a linguagem — mas a conexão gerada por uma narrativa bem estruturada segue cada vez mais presente.

Que o digam as marcas, que utilizam essa dinâmica para transmitir aos públicos seus valores, suas conquistas e fracassos, sua trajetória e seus objetivos. O chamado storytelling tem sido fundamental na estratégia de comunicação e marketing de empresas — humanizando marcas e experiências. Em sua essência, é uma ferramenta para se conectar com as pessoas de uma forma mais emocional e eficaz.

Assim como o ato de sentar ao redor do fogo para contar histórias, o storytelling de marcas também evoluiu. Na verdade, esse movimento acompanha as mudanças de hábitos de toda a sociedade. Conforme se transformam as agendas sociais, as formas de consumo e a jornada dos consumidores, as maneiras que as marcas se comunicam também se modificam. O aumento no uso de vídeos em redes sociais é um exemplo disso: esse formato responde ao imediatismo e à atenção difusa que é característica dos usuários de hoje.

E é nesse contexto de uma sociedade cada vez mais ágil — e impaciente — que o storytelling possui um papel tão relevante. Ele ajuda a transformar informações complexas e números abstratos em histórias com as quais os usuários se identificam. O desafio está em aproximar esses dois universos — o dos dados e o de uma narrativa envolvente, contada com criatividade e inteligência.

Independentemente do formato do conteúdo, as marcas devem estar atentas a isso. E, seguindo estes cinco pontos, poderão explorar as informações de maneira estratégica e focada nos objetivos do negócio:

1) Saiba qual público consumirá aquele conteúdo: pense no nível de interesse, conhecimento e os objetivos da pessoa que acessará o material;

2) Entenda o contexto da informação: um relatório para ler é diferente de um relatório para apresentar. Avalie e adapte o formato para cada situação;

3) Desenvolva a narrativa a partir de uma estrutura de conteúdo: assim como qualquer fábula, sua história precisa ter início, meio e fim — dando destaque para o que verdadeiramente sustenta sua análise;

4) Seja visual: aproveite a diversidade de formatos e de possibilidades visuais para aflorar o interesse do público: fotos, gráficos e highlights ajudarão a conquistar o seu objetivo;

5) Simplifique: às vezes, optar por um número com texto terá mais resultado do que uma tabela. Uma boa ideia expressa em uma única frase surtirá mais efeito do que uma excelente ideia com mil palavras.

Mais do que contar uma boa história, o que as marcas devem saber é conectar essa narrativa ao propósito e às estratégias do negócio. E, ainda mais importante, que isso tenha verdade: que seja sustentado pela identidade e pelas ações da empresa, em linha com o que os dados comprovam. Antes, as fábulas contadas ao pé da fogueira tinham um quê de fantasia e ficção. Hoje, não há como fugir da essência e da realidade — mesmo que envolta em uma história convincente e instigante.

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