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Opinião  
:: Todos seremos melhores com a imprensa livre 18/12/2009
Ricardo Gandour


O País acompanha nos últimos meses uma novela que parece não ter fim: os procedimentos jurídicos para derrubar a censura prévia que se abate sobre este jornal e seu site na internet. Uma decisão judicial impede o Estado, desde 31 de julho, de publicar informações sobre a investigação da Polícia Federal apelidada Boi Barrica, que esmiúça negócios do empresário Fernando Sarney, filho do presidente do Senado. Desde então, o Grupo Estado vem recorrendo às sucessivas instâncias do Judiciário.

Na semana passada, o Supremo Tribunal Federal (STF) julgou inadequado um recurso impetrado pelo jornal na esperança de encurtar o caminho e apressar o restabelecimento da plena liberdade. O STF declarou imprecisão técnica e arquivou o pedido. Continuam os recursos pelas vias que os advogados já vinham trilhando.

Ao oficialmente deliberar apenas sobre a forma do recurso, a Suprema Corte acabou tangenciando o delicado tema da liberdade de imprensa. Delicado e, ao que pareceu, mal compreendido. Parte do plenário articulou seu discurso para sustentar que a liberdade de imprensa talvez não deva mesmo ser plena. Para alguns ministros, uma "intervenção judicial" que impeça um veículo de publicar algo pode, em alguns casos, ser plausível e até benéfica!

Escrevo evidentemente não como especialista. Escrevo como jornalista e editor, mas principalmente como cidadão preocupado com o que viu e ouviu ao assistir à plenária pela TV Justiça, solução tecnológica que potencializa a concepção essencial de Oscar Niemeyer. Ao projetar a Praça dos Três Poderes, o arquiteto quis que o tripé sustentáculo da democracia fosse ali vislumbrado, vivido e, quem sabe, influenciado pelo cidadão comum. O plenário do Supremo Tribunal praticamente não tem portas ou obstáculos à entrada. Suas sessões são abertas, vistas e até ouvidas pelo povo na praça.

Temos atualmente, no Brasil, uma carência de debates e de aprofundamento em torno da função da imprensa livre nas democracias. É fato que diversos autores, acadêmicos ou na prática do mercado, têm se debruçado sobre o assunto em teses e livros recentes. Mas o foco em moda tem recaído primordialmente sobre as novas mídias e o impacto da internet, ficando em segundo plano a análise do papel central da informação jornalística livre e fiscalizadora, e seu futuro inclusive nos novos meios de veiculação. Liberdade de imprensa deveria ser assunto obrigatório em diversos cursos superiores, não só nas áreas de comunicação social.

A democracia precisa de uma imprensa plenamente livre, que responda (e amadureça) com responsabilidade pelos seus erros e acertos, aos quais as coisas, principalmente as públicas, estão e devem ser expostas. Imaginar que algum tipo de tutela tenha a capacidade de melhorar a atuação da imprensa, em favor do povo ou "protegendo-o" de potenciais equívocos, é raciocínio, no mínimo, infantilizado. O ato de proibir um veículo de divulgar não encontra outro lastro senão o da presunção do que se está prestes a editar. "Eu te proíbo, em nome da lei, de editar o que eu estou imaginando que você está imaginando." Coerção do pensamento! A proteção prévia motivada por temor é prima do paternalismo, todos parentes do autoritarismo. Os riscos da liberdade são muito melhores e mais frutíferos do que os riscos do controle prévio.

Cada texto de um repórter será sempre pontual, sujeito ao escrutínio público e passível de interação com as partes, complementação, ajuste e correção. Os tribunais classicamente operam em outra dimensão, se e quando provocados e a partir de fatos concretos. Suas sentenças serão sempre mais definitivas, e sua ação será tanto melhor quanto mais a posteriori for, com o máximo possível de informações apuradas e postas em público. Ambos os ofícios sujeitos aos erros de toda obra humana. Mas cada qual com o seu tempo e o seu método.

Sinalizar ao País que a liberdade da imprensa não é plena trará precedente gravíssimo. Instituições de diversas naturezas demandarão o Judiciário para impedir a realização de reportagens que julguem, por mera presunção, incômodas - e a sociedade jamais poderá comprovar. Corruptores e corrompidos, governantes que não cumprem metas, organizações que desrespeitam a lei, o meio ambiente e os consumidores: todos terão a chance de encontrar no Judiciário o escudo para esconder da fiscalização do público o que poderia vir a ser de elevado interesse para todos. E quem poderá dizer em que casos a cautela antecipada não se transformará em impunidade pré-adquirida? Os juizados se verão abarrotados de demandas baseadas na imaginação do que pode vir a acontecer, e não em fatos concretos. A edição final passará pelos juízes, um desvio bárbaro no método e no tempo. Ruim para as duas atividades, péssimo para as mínimas chances de transparência e debate públicos.

A democracia voltou a reinar entre nós tendo o poder fiscalizador da imprensa como aliado e catalisador. Lideranças hoje atuantes são ao mesmo tempo testemunhas e frutos dessa história. Ao País parece estar reservado um futuro inegavelmente próspero no plano material. A sociedade brasileira não merece, para dizer o mínimo, seguir adiante estampando ao mundo essa enorme rachadura em sua construção democrática, o que pode abalá-la no futuro, até em termos econômicos. O Judiciário ainda terá a chance de ratificar ao Brasil a plena liberdade de sua imprensa, com a qual somos e seremos todos melhores.

Ricardo Gandour, Diretor de Conteúdo do Grupo Estado
 
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Fatos & Fatos
:: Happy Hour em casa 03/09/2010
Os que se beneficiaram com a crise foram os fabricantes de bebidas alcoólicas e as redes de supermercados. Segundo pesquisa do instituto americano Gallup, 67% dos norte americanos estão bebendo regularmente. O país não registrava esse índice desde 1985. Contudo, o estudo mostra que o consumo é feito, em sua maior, em casa. Os bares e restaurantes não sentem aumento nas vendas, pelo contrário, as vendas caíram 4,6% em 2009, ante um aumento de 1,2% em lojas de bebidas e supermercados. Em média, a população norte americana está tomando dez doses por mês no conforto do lar, ante apenas 5,7 em bares. Eles estão optando por bebidas mais baratas, o que explica a preferência pelo happy hour caseiro.
:: Frases do evento #midiashow 03/09/2010
• "Sempre escutamos falar nos consumidores. Ninguém acorda de manhã sendo um consumidor, mas uma pessoa." Michael Conrad (Fundador da Escola de Liderança Criativa de Berlim)
• "A web foi criada por engenheiros, não foi feita por homens da comunicação, por isso há uma desconexão entre tecnologia e conteúdo. Para se comunicar é preciso ter mais diálogo. Estamos voltando ao diálogo depois de 50 anos de monólogo." Walter Longo (Mentor de estratégia e inovação do Grupo Newcomm)
• "O único line que eu conheço e acredito é o que dá resultados. Se é online ou offline, isso não importa. A única linha que importa é entre o que é bom e o que é ruim." Marcello Serpa (sócio e diretor-geral de Criação da AlmapBBDO
• “Existem mais pessoas no Brasil com celular do que pessoas que escovam os dentes.” Leo Xavier (Diretor e sócio da Pontomobi Móbile Powerhouse)
• “Nas mídias de rede, a audiência também é um veículo.” Abel Reis (Presidente da Agência Click Isobar)
:: Mito 27/08/2010
“A Era de Ouro do jornalismo investigativo nunca existiu”. Essa frase poderia passar batida, se não tivesse sido dita por ninguém menos que Carl Bernstein, o jornalista que, junto com Bob Woodward, desvendou o caso Watergate na década de 1970. Ele disse que não está muito preocupado com o futuro desse tipo de jornalismo porque considera que os grandes jornais estão fazendo um bom trabalho. Ele se preocupa mesmo é com os leitores que não estão dando valor ao jornalismo sério.
:: FRASES DITAS POR JOGADORES DE FUTEBOL 27/08/2010
• “Chegarei de surpresa dia 15, às duas da tarde, vôo 619 da VARIG.\' (Mengálvio, ex-meia do Santos, em telegrama à família quando em excursão à Europa)
• \'Tanto na minha vida futebolística quanto com a minha vida ser humana.” (Nunes, ex-atacante do Flamengo, em uma entrevista antes do jogo de despedida do Zico)
• “Que interessante, aqui no Japão só tem carro importado.” (Jardel, ex-atacante do Grêmio)
• “As pessoas querem que o Brasil vença e ganhe.” (Dunga, em entrevista ao programa Terceiro Tempo)
• “Eu, o Paulo Nunes e o Dinho vamos fazer uma dupla sertaneja.” (Jardel, ex-atacante do Grêmio)
• “O novo apelido do Aloísio é CB, Sangue Bom.” (Souza, meio-campo do São Paulo, em uma entrevista ao Jogo Duro)
• “A partir de agora o meu coração só tem uma cor: vermelho e preto.” (Jogador Fabão, assim que chegou no Flamengo)
• “Eu peguei a bola no meio de campo e fui fondo, fui fondo, fui fondo e chutei pro gol.” (Jardel, ex- jogador do Vasco e Grêmio, ao relatar ao repórter o gol que tinha feito)
• “A bola ia indo, indo, indo... e iu!” (Nunes, jogador do Flamengo da década de 80)
• “Tenho o maior orgulho de jogar na terra onde Cristo nasceu.” (Claudiomiro, ex-meia do Inter de Porto Alegre, ao chegar em Belém do Pará para disputar uma partida contra o Paysandu, pelo Brasileirão de 72)
• “Nem que eu tivesse dois pulmões eu alcançava essa bola.” (Bradock, amigo de Romário, reclamando de um passe longo)
• “No México que é bom. Lá a gente recebe semanalmente de 15 em 15 dias.” (Ferreira, ex-ponta esquerda do Santos)
• “Quando o jogo está a mil, minha naftalina sobe.” (Jardel, ex-atacante do Vasco, Grêmio e da Seleção)
• “O meu clube estava a beira do precipício, mas tomou a decisão correta, deu um passo a frente.” (João Pinto, jogador do Benfica de Portugal)
• “Na Bahia é todo mundo muito simpático. É um povo muito hospitalar.” (Zanata, baiano, ex-lateral do Fluminense, ao comentar sobre a hospitalidade do povo baiano)
• “Jogador tem que ser completo como o pato, que é um bicho aquático e gramático.” (Vicente Matheus, eterno presidente do Corinthians)
• “O difícil, como vocês sabem, não é fácil.” (Vicente Matheus)
• “Haja o que hajar, o Corinthians vai ser campeão.” (Vicente Matheus)
• “O Sócrates é invendável, inegociável e imprestável.” (Vicente Matheus, ao recusar a oferta dos franceses)
:: Sábias palavras 27/08/2010
• “O Brasil incluiu 50 milhões de pessoas no mercado de consumo. É uma Espanha.” Benjamin Steinbruch, presidente da FIESP e da CSN
• “A China já comprou a África e agora quero Brasil É preciso ter cuidado. Se deixar, eles compram.” Benjamin Steinbruch
• “Não há mercado mais importante do que o Brasil” Jerry Del Missier, presidente do banco inglês Barclays Capital
• “Estamos passando por um verdadeiro apagão de mão de obra na área digital em nível global. No Brasil, a situação está ficando cada vez mais crítica. Esse fenômeno não é mais novo para o setor que convive com escassez de talentos já há algum tempo. O que tem ocorrido mais recentemente foi um acirramento desta situação por conta do momento bastante próspero desse mercado.” Regina Augusto, em editorial para o Meio & Mensagem
• Você não conquista motivação, entusiasmo e capacitação por imposição. Você conquista por respeito, é diferente.” João Dória Jr., Dória Associados
• “Mais do que uma opção, integrar os mundos analógico e digital será obrigação” Luiz Alberto Marinho, consultor em marketing de varejo