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Opinião  
:: Fábrica de jornais vira fábrica de notícias 18/09/2009
Nelson Ferrão, do Grupo Sinos

Abaixo, texto escrito por Nelson Ferrão, do Grupo Sinos...

 

Saiu no blog do Tiago Dória, conceituado jornalista e blogueiro que, entre outras coisas, integra o júri do Concurso de Jornalismo da CNN, o memorando interno distribuído aos jornalistas nesta segunda-feira, no qual Arthur Sulzberger e Janet Robinson, diretor geral e presidente do New York Times, respectivamente, afirmam que o NYTimes passa a ser oficialmente uma empresa de notícias e não apenas um jornal. O negócio deles agora é informação em diversas plataformas, por mais que o NYTimes seja conhecido e reconhecido há dezenas de anos com um dos mais - talvez o mais – influentes jornais do mundo. A avaliação é que este comunicado carrega um peso histórico tremendo, pois demonstra que, conceitualmente, um jornal deixou de ser um jornal. Seria, também, a demonstração do fim de uma fase de crise de identidade na empresa.

 

Nesse processo de transição que enfrentam em determinados momentos de suas histórias, muitas empresas acabaram perdendo o rumo, não conseguiram decidir mais em qual negócio estavam. "A Kodak foi (ou ainda é) símbolo desse questionamento. Não se decidia se estava no negócio de memórias visuais e imagens ou de filmes para câmeras fotográficas", compara oportunamente o Dória.

 

Assim como agora as empresas jornalísticas, nós próprios, profissionais do jornalismo, estamos passando por essa crise de identidade. Somos pessoas que fazem jornal e atualizam site, ou comunicadores completos, especialistas em informação? O New York Times, ao que parece, já passou dessa fase de questionamento interno. O negócio deles é informação, seja no papel, na internet e sei lá mais o que surgir daqui para a frente. É desafiador, mas é o que vai nos caber no presente-futuro. Não tem choro, nem volta.

 

Há alguns meses, Aron Pilhofer, editor de interatividade do NYT, havia confirmado esta decisão que, segundo alguns estudiosos da revolução que vivenciamos, a longo prazo vai influenciar outros jornais. O NYTimes vai liberar o acesso da sua API ainda neste ano. Em linguagem bem simples, ensina o Dória, a API é uma espécie de "receita e instruções" do site. A partir do acesso a ela, você pode criar qualquer ferramenta, serviço, gadget que tenha como base o conteúdo do jornal. Ou ainda cruzar livremente as notícias da publicação com outros dados e informações.

 

Com isso, o NYTimes deixa de ser apenas um jornal para se tornar uma plataforma programável de conteúdo, que já vem com o carimbo de a grife de um jornalismo de primerisíssimo nível. Da mesma forma que a indústria de bebidas ou de automóveis, o NYTimes, de dois anos para cá, vem tratando o investimento em pesquisa para criação de novos produtos como algo crucial para o seu futuro – existe uma espécie de laboratório totalmente dedicado a criar e pesquisar novos formatos, conteúdos e abordagens. E isto em todas as áreas: de produto, de comercialização e de marketing.

 

Para vocês terem uma idéia, o jornal trabalha com um profissional chamado de "futurista", responsável por pesquisar tendências e sugerir temas e conceitos que o jornal deve seguir para o "seu futuro". Isso, na área de novas mídias, é vital. Não importa ao tamanho da empresa. Sejam grandes ou pequenas, que têm seus negócios apoiados na internet. Se a empresa não investe em pesquisa, em inovação, isto é o apregoado especialmente entre os profissionais dos EUA, acaba sendo eternamente o 2º, 3º, 4º, 5º no mercado, ou não se mantém na liderança.

 

Para entender melhor esse reposicionamento histórico do NYTimes, reproduzo um post anterior do Dória. Segundo ele, os caras se apoiaram em duas características que a web e a digitalização de conteúdos trouxeram para o jornalismo – mobilidade e perenidade às informações.

 

"Antes de tudo, vale sanar algumas questões:

 

De novidade, a internet trouxe a participação dos usuários/leitores/telespectadores para o jornalismo?
Isso já existia, embora em menor escala, mas já existia – nas cartas dos leitores, nos ouvintes-repórteres fornecendo informações sobre trânsito para as rádios e naquele cinegrafista amador.

 

A internet trouxe o "jornalismo em tempo real"?
Bom, isso as rádios já fazem há bastante tempo e melhor. Aliás, até hoje o "jornalismo de internet" toma furos das rádios e das TVs. Vide aqui, no Brasil, como a Globo News e a rádio CBN, volta e meia, em momentos cruciais, acabam pautando diversos sites de notícias. E lá fora, CNN e BBC.

 

O que existe realmente de novo são dois conceitos:

 

Notícia não morre mais.

A internet é o único meio onde a notícia não amarela, nem fica empoeirada em uma fita. Ela não tem prazo de validade, pode ser acessada a qualquer momento outra vez via mecanismos de busca. A "notícia de ontem" ganhou importância.

 

E ainda.

Pela primeira vez, temos uma quantidade de informação jornalística reunida de tal forma [digitalizada em bancos de dados] que é possível encontrar padrões e tendências [datamining].

 

Informações podem ser consumidas e produzidas de qualquer lugar
Com um celular/laptop um jornalista pode ler, ver, ouvir ou mandar informação para serem publicadas em um site. Uma notícia pode ser ao mesmo tempo consumida em um jogo, sob a forma mobile ou em um site de qualquer parte do mundo.

 

Por mais irônico que pareça, ao mesmo tempo que surgem mais formatos de mídia, por meio de tecnologias de distribuição de conteúdo, a notícia fica cada vez mais liberta de formatos.

 

Mas, voltando ao NYTimes, esses conceitos têm sido trabalhados na prática da seguinte forma.

 

Desde 2006, o jornal vem otimizando seu banco de dados e site para que as notícias sejam encontradas com mais facilidade nos mecanismos de busca, inclusive fazendo experimentos na área de datamining. Neste ano, lançou o TImes MAchine, que nada mais é que uma interface para acessar de forma mais estruturada a "notícia de ontem". E agora, com o lançamento da API, o seu conteúdo poderá ser mais facilmente consumido e acessado de qualquer lugar.

 

Por essas e outras, que, a meu ver, a grande questão hoje no jornalismo é sobre essa capacidade de mobilidade na produção e no consumo de notícias. Uma questão bem mais instigante do que a discussão conteúdo amador vs profissional, que, a meu ver, gira em círculos.

 

Enfim, a discussão não é quem produz a informação – amador ou profissional – mas como e quando as informações estão sendo consumidas. É logico que a partir do momento que uma informação pode ser produzida e captada de qualquer lugar – com um celular, por exemplo – teoricamente, você abre caminho para que qualquer pessoa possa produzir essa informação.

 

Não é sobre amadores vs profissionais, mas sobre informação relevante e acessível de qualquer lugar para qualquer pessoa, conteúdo estruturado, largamente distribuído e o controle dessa distribuição nas mãos dos usuários.

 

Pelo visto, o NYTimes percebeu que o caminho é esse."

 

 

Aproveitando o embalo, reproduzo abaixo a íntegra (em inglês) do histórico memorando. Durante muitos anos, certamente, ainda vamos estar falando sobre ele. Vai para os compêndios da história do jornalismo... Faço algumas marcações em negrito de trechos que considero mais instigantes. Especialmente aquele que diz que o NYTimes não se considera uma empresa que produz jornais, mas uma empresa que produz notícias. Penso que este é o ponto chave e que irá decidir o futuro do nosso negócio.

 

"September 14, 2009

To Our Colleagues,

A reader recently wrote, "I feel that the importance of The Times is so great that I would pay $70 million for access to the most important paper in the free world." We appreciate the thought but while things are difficult for newspapers, they haven’t reached that point.

As our advertising revenues have declined, we have asked our readers to bear more of the cost of our journalism, as many other newspapers have done with their readers. They have demonstrated a willingness to do so. As a result, in the first half of this year we have seen gains in circulation
revenues at The Times, the Globe, the Sarasota Herald-Tribune, the Santa Rosa Press Democrat and some of our other regional newspapers. In this issue of On the Record, we’ll talk about our circulation strategy and how it has improved our financial results.
Let’s start with our underlying premise. We believe that we provide very high-quality news, information and entertainment to our readers. We also believe that our premium quality journalism warrants a premium price. This is why we have experimented in the past with online subscription models.
It’s also why we continue to explore ways to derive more revenue from our digital content than we get from the advertising and other secondary revenue streams we have today.
We plan to discuss that in a future issue of On the Record.

Today circulation revenues make up a greater percentage of the Company’s revenues than they did in the past. Five years ago, advertising accounted for 67 percent of our total revenues and circulation made up 27 percent. In the second quarter of this year, advertising totaled 54 percent of our revenues and circulation was 39 percent. Circulation revenues have grown to the point that last year they were the highest they have been in our history.

We don’t mean to suggest that there have not been any cancellations or that circulation volume hasn’t declined. It has. But there have been far fewer cancellations from price increases than we expected at both The Times and the Globe. The reader retention rates for The Times and the Globe are enviable – for subscribers of two years or more, the rate is roughly 90 percent for both papers. In fact, The Times has more than 830,000 readers who have subscribed for two years or more, up from 650,000 in 2000.

Some of the volume declines at our newspapers are attributable to our deliberate strategy of focusing on individual readers who pay to get their paper rather than discounted copies, such as those distributed at hotels, conventions and other venues. Advertisers value these individual readers since they are deeply engaged with our newspapers.

Why do readers continue to embrace print? The reason newspapers have endured for more than 400 years is because they work. People understand how newspapers are organized – if a story is above the fold, it’s more important than below the fold. If it appears on the front page, it’s more newsworthy than one inside the paper. Readers enjoy the serendipity of finding something new that they didn’t realize they were interested in but discovered in the pages of their paper. Newspapers are portable. They offer a point in time assessment of the news.
In order to get The Times in the hands of even more readers, we are working with organizations across the country to print and distribute the paper. Most recently we announced a new agreement to print The Times in Nashville, enabling us to expand newsstand and home delivery to readers in the area
and to better serve our current readers in Tennessee, northern Alabama, northern Mississippi, eastern Arkansas and western Kentucky. Today The Times is printed at 26 locations across North America.

We expect the print editions of The Times, the Globe and our regional newspapers will be around for years to come. But we are a news company, not a newspaper company. We are committed to offering our consumers our content wherever and whenever they want it and even in ways they may not have envisioned – in print or online – wired or mobile – in text, graphics, audio, video or even live events. Because of our high-quality journalism, we have very powerful and trusted brands that attract educated, affluent and influential audiences. These audiences are a true competitive advantage as we move into an increasingly digital world.
We hope this is helpful in understanding our circulation strategy. If you have any questions on this or other issues, please send us an e-mail at: a
rthur_and_janet@nytimes.com


Arthur & Janet"
 
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Fatos & Fatos
:: Happy Hour em casa 03/09/2010
Os que se beneficiaram com a crise foram os fabricantes de bebidas alcoólicas e as redes de supermercados. Segundo pesquisa do instituto americano Gallup, 67% dos norte americanos estão bebendo regularmente. O país não registrava esse índice desde 1985. Contudo, o estudo mostra que o consumo é feito, em sua maior, em casa. Os bares e restaurantes não sentem aumento nas vendas, pelo contrário, as vendas caíram 4,6% em 2009, ante um aumento de 1,2% em lojas de bebidas e supermercados. Em média, a população norte americana está tomando dez doses por mês no conforto do lar, ante apenas 5,7 em bares. Eles estão optando por bebidas mais baratas, o que explica a preferência pelo happy hour caseiro.
:: Frases do evento #midiashow 03/09/2010
• "Sempre escutamos falar nos consumidores. Ninguém acorda de manhã sendo um consumidor, mas uma pessoa." Michael Conrad (Fundador da Escola de Liderança Criativa de Berlim)
• "A web foi criada por engenheiros, não foi feita por homens da comunicação, por isso há uma desconexão entre tecnologia e conteúdo. Para se comunicar é preciso ter mais diálogo. Estamos voltando ao diálogo depois de 50 anos de monólogo." Walter Longo (Mentor de estratégia e inovação do Grupo Newcomm)
• "O único line que eu conheço e acredito é o que dá resultados. Se é online ou offline, isso não importa. A única linha que importa é entre o que é bom e o que é ruim." Marcello Serpa (sócio e diretor-geral de Criação da AlmapBBDO
• “Existem mais pessoas no Brasil com celular do que pessoas que escovam os dentes.” Leo Xavier (Diretor e sócio da Pontomobi Móbile Powerhouse)
• “Nas mídias de rede, a audiência também é um veículo.” Abel Reis (Presidente da Agência Click Isobar)
:: Mito 27/08/2010
“A Era de Ouro do jornalismo investigativo nunca existiu”. Essa frase poderia passar batida, se não tivesse sido dita por ninguém menos que Carl Bernstein, o jornalista que, junto com Bob Woodward, desvendou o caso Watergate na década de 1970. Ele disse que não está muito preocupado com o futuro desse tipo de jornalismo porque considera que os grandes jornais estão fazendo um bom trabalho. Ele se preocupa mesmo é com os leitores que não estão dando valor ao jornalismo sério.
:: FRASES DITAS POR JOGADORES DE FUTEBOL 27/08/2010
• “Chegarei de surpresa dia 15, às duas da tarde, vôo 619 da VARIG.\' (Mengálvio, ex-meia do Santos, em telegrama à família quando em excursão à Europa)
• \'Tanto na minha vida futebolística quanto com a minha vida ser humana.” (Nunes, ex-atacante do Flamengo, em uma entrevista antes do jogo de despedida do Zico)
• “Que interessante, aqui no Japão só tem carro importado.” (Jardel, ex-atacante do Grêmio)
• “As pessoas querem que o Brasil vença e ganhe.” (Dunga, em entrevista ao programa Terceiro Tempo)
• “Eu, o Paulo Nunes e o Dinho vamos fazer uma dupla sertaneja.” (Jardel, ex-atacante do Grêmio)
• “O novo apelido do Aloísio é CB, Sangue Bom.” (Souza, meio-campo do São Paulo, em uma entrevista ao Jogo Duro)
• “A partir de agora o meu coração só tem uma cor: vermelho e preto.” (Jogador Fabão, assim que chegou no Flamengo)
• “Eu peguei a bola no meio de campo e fui fondo, fui fondo, fui fondo e chutei pro gol.” (Jardel, ex- jogador do Vasco e Grêmio, ao relatar ao repórter o gol que tinha feito)
• “A bola ia indo, indo, indo... e iu!” (Nunes, jogador do Flamengo da década de 80)
• “Tenho o maior orgulho de jogar na terra onde Cristo nasceu.” (Claudiomiro, ex-meia do Inter de Porto Alegre, ao chegar em Belém do Pará para disputar uma partida contra o Paysandu, pelo Brasileirão de 72)
• “Nem que eu tivesse dois pulmões eu alcançava essa bola.” (Bradock, amigo de Romário, reclamando de um passe longo)
• “No México que é bom. Lá a gente recebe semanalmente de 15 em 15 dias.” (Ferreira, ex-ponta esquerda do Santos)
• “Quando o jogo está a mil, minha naftalina sobe.” (Jardel, ex-atacante do Vasco, Grêmio e da Seleção)
• “O meu clube estava a beira do precipício, mas tomou a decisão correta, deu um passo a frente.” (João Pinto, jogador do Benfica de Portugal)
• “Na Bahia é todo mundo muito simpático. É um povo muito hospitalar.” (Zanata, baiano, ex-lateral do Fluminense, ao comentar sobre a hospitalidade do povo baiano)
• “Jogador tem que ser completo como o pato, que é um bicho aquático e gramático.” (Vicente Matheus, eterno presidente do Corinthians)
• “O difícil, como vocês sabem, não é fácil.” (Vicente Matheus)
• “Haja o que hajar, o Corinthians vai ser campeão.” (Vicente Matheus)
• “O Sócrates é invendável, inegociável e imprestável.” (Vicente Matheus, ao recusar a oferta dos franceses)
:: Sábias palavras 27/08/2010
• “O Brasil incluiu 50 milhões de pessoas no mercado de consumo. É uma Espanha.” Benjamin Steinbruch, presidente da FIESP e da CSN
• “A China já comprou a África e agora quero Brasil É preciso ter cuidado. Se deixar, eles compram.” Benjamin Steinbruch
• “Não há mercado mais importante do que o Brasil” Jerry Del Missier, presidente do banco inglês Barclays Capital
• “Estamos passando por um verdadeiro apagão de mão de obra na área digital em nível global. No Brasil, a situação está ficando cada vez mais crítica. Esse fenômeno não é mais novo para o setor que convive com escassez de talentos já há algum tempo. O que tem ocorrido mais recentemente foi um acirramento desta situação por conta do momento bastante próspero desse mercado.” Regina Augusto, em editorial para o Meio & Mensagem
• Você não conquista motivação, entusiasmo e capacitação por imposição. Você conquista por respeito, é diferente.” João Dória Jr., Dória Associados
• “Mais do que uma opção, integrar os mundos analógico e digital será obrigação” Luiz Alberto Marinho, consultor em marketing de varejo