MULHERES NA LIDERANÇA – 17.12.2021

O mercado de trabalho brasileiro vem evoluindo de forma constante no que se refere à equidade de gênero. A grande maioria das empresas inclui o tema no seu dia a dia, seja com ações e políticas para ampliar a presença de mulheres em seus quadros ou fomentando a discussão em esferas internas e externas. A pauta chegou a ser trabalhada em 99% das companhias que participaram da IV edição da pesquisa “Mulheres na Liderança”, iniciativa da WILL – Women in Leadership in Latin America, organização sem fins lucrativos que atua para a ascensão das mulheres no ambiente corporativo – em parceria com os veículos Valor Econômico, O Globo, Época Negócios e Marie Claire e com o apoio metodológico do Instituto IPSOS, demonstrando os esforços na criação de um ambiente corporativo mais responsável com relação à participação feminina.

O resultado do mapeamento, que contou com a participação de 138 médias e grandes empresas e tem como objetivo identificar as melhores práticas relacionadas ao tema, mostra que 58% delas já contam com políticas formais para a promoção da equidade de gênero, com metas claras e ações planejadas, índice que era de 41% em 2019 e vem crescendo ao longo dos dois últimos anos; e 70% possuem áreas especificas para garantir a implementação de ações voltadas para a iniciativa. Para 51% dos entrevistados, a pauta prioritária segue sendo ‘Mulheres na Liderança’.

Pensando na inclusão de mais mulheres no topo hierárquico, as organizações estão investindo no treinamento dos profissionais responsáveis pelas promoções. Pouco mais da metade das empresas, 51%, estabeleceram metas para reduzir a proporção entre homens e mulheres em cargos de gerência ou executivos, sendo que, em 2019, apenas um terço das empresas declaravam este tipo de iniciativa. Além disso, mais da metade dos participantes contam com programas de mentoria, capacitação e incentivo à liderança feminina.

Com dois novos recortes, neste ano, a pesquisa trouxe um olhar especial para a situação das mulheres negras e da presença feminina em conselhos de administração. “Identificamos que quase metade das empresas respondentes, 49%, trabalham com políticas específicas para mulheres negras ou pardas. Há bastante ênfase nas ações de denúncia e comunicação de valores de não discriminação por parte das empresas, e também na promoção de treinamentos que pretendem mitigar os preconceitos”, afirma Silvia Fazio, presidente da WILL.

No que se refere à incorporação de mulheres nos conselhos de administração no Brasil, a pesquisa revela preocupação, uma vez que os índices ainda são muito baixos. “As companhias estão investindo em metas para reduzir a diferença na proporção entre homens e mulheres em cargos de gerência ou executivos, no entanto, a participação feminina em conselhos ainda é um ponto de bastante atenção. Apenas 14% dos entrevistados consideram a equidade de gênero como critério para a indicação de novos membros para o conselho, enquanto 9% contam com metas de percentual mínimo para equilibrar o número de homens e mulheres que têm assento no board. Há muito para se trabalhar e para ser conquistado neste quesito”, diz Silvia.

Já no que diz respeito aos aspectos de recrutamento e seleção, é real a preocupação em monitorar a proporção de homens e mulheres contratados, apontada por 75% dos entrevistados, assim como o que concerne à implementação de ações afirmativas. Embora tenha sido observado um declínio nas menções relacionadas à divulgação das políticas salariais, dois terços das empresas possuem procedimentos formais e claros sobre aumento salarial e 58% têm métricas de equiparação salarial entre homens e mulheres.

Na prática, 53% das empresas conseguiram diminuir as disparidades salariais entre homens e mulheres por nível hierárquico, 67% estão contratando mais mulheres para cargos antes ocupados por homens e 62% contratando mais mulheres para cargos de nível hierárquico mais elevado.

“De forma geral, observamos que as empresas estão muito mais conscientes da relevância do tema equidade de gênero. Muito já está sendo feito em algumas frentes, como a criação de áreas voltadas para tratar o assunto, o estabelecimento de metas para equilibrar o quadro de colaboradores e, até mesmo, políticas de inclusão para mulheres negras. Porém, ainda temos muitos pontos de atenção. Precisamos ver o discurso se refletindo no dia a dia das empresas e nos índices de mulheres que ocupam cargos de liderança”, conclui Silvia, lembrando que 72% das empresas declararam apostar no posicionamento público da liderança acerca de questões relacionadas à equidade de gênero e valorização da diversidade.

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