José Maurício Pires Alves-18-10-19

CHEIRO PARA ESTIMULAR O SEXO

Por José Maurício Pires Alves – Atalho Soluções em Comunicação

No final da década de 90, eu era presidente da 5ª Câmara do CONAR com sede em Porto Alegre e deparamo-nos com um caso interessante e importante.

O Diário Catarinense, de Florianópolis, publicou um anuncio chamativo de um produto para atrair e seduzir sexualmente o sexo oposto, instantaneamente.

No texto a peça afirmava: “Atração supersexual, indetectável, que desperta nas pessoas um extinto selvagem animal de sexo desinibido. Use nas suas roupas ou no assento de seu automóvel e seja simplesmente irresistível”.

Para um milagre destes, só o Conar para resolver.

E, para sorte de todos o processo foi parar nas mãos do conselheiro Paulo Boa Nova.

O Paulo Boa Nova, como relator do processo, além de analisar o anúncio, decidiu experimentar o produto.

E, sendo um cara prevenido, cuidou para receber um que atraísse mulheres, claro.

Para ser mais preciso, recupero o relatório original  do parecer e passo a palavra ao Paulinho:

“Analisando a comunicação do produto Pheromone Cologue e aprofundando-nos na proposta comercial da empresa, deparamo-nos com aspectos muito interessantes.

Em primeiro lugar, a exploração do odor humano como atração sexual nos parece uma proposta criativa e inteligente. Olhando-se com profundidade, trata-se inclusive de uma contribuição para o encontro e atração entre pessoas, o que por si só já é uma atitude socialmente saudável e individualmente engrandecedora, numa sociedade bastante repressiva”.

Já dando uma demonstração do que faria atualmente, o Paulo, em defesa do anúncio, interpretou Maria Bethânia (“teu cheiro me dá prazer, vou mergulhar no teu mel”); Vinicius de Morais (“Morena-flor me dá um cheirinho/um cheirinho de amor”) e citou ainda Jorge Amado em Gabriel, Cravo e Canela.

Após criativa encenação, chegou à conclusão de que, tirante os exageros da “atração supersexual”, do “selvagem instinto” ou do “seja irresistível”, até que o anuncio servia como motivador psicológico para que as pessoas se desinibissem, se soltassem mais emocionalmente e se relacionassem melhor com o sexo oposto.

E, em off sentenciou: “se todos trepassem mais e melhor, haveria menos discussão, menos conflito, menos sacanagem”.

Gente amiga, este texto faz parte do livro É o que parece! editado pela APP – Associação dos Profissionais de Propaganda no final do ano passado.

Não é um livro de autor, mas de autores que são conhecidos profissionais de propaganda que relatam com humor e descontração os “causos” vividos ao longo de sua atuação.

Se desejar adquirir um exemplar, basta ligar para a Jeni Trindade na APP (11 3813 0188) ou pelo e-mail jeni@appbrasil.org.br .

No mais, leia e divirta-se.

 

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