CONSUMIDOR ESTÁ MAIS TECNOLÓGICO E CONSCIENTE – 26.03.2021

Em 2020, a pandemia foi decisiva na moldagem do comportamento dos indivíduos. As mudanças acarretadas pela crise e pelas medidas de isolamento social transformaram o modo com o qual as pessoas se relacionam entre si, com o trabalho e com as empresas. O estudo “Trends: Comportamento do Consumidor 2021”, realizado pela agência SA365, analisou o cenário do consumo para este ano e o destaque vai para consumidores com mais afinidade tecnológica em diversos aspectos e preocupados com um futuro consciente e responsável. 

As tendências foram estipuladas com base em quatro grandes temas: empatia tecnológica, escritório híbrido, entretenimento remoto e o “eu” protagonista. Os resultados foram calculados com base em dados coletados através do BuzzMonitor e no cruzamento com compilados fornecidos pelos principais reports de trends do mercado. Uma das mudanças mais significativas foi a da aceleração da era digital, com o boom do e-commerce e o uso intenso de redes sociais.

Com mais tempo em casa, as pessoas passaram a explorar as plataformas digitais não só para trabalho, mas também para uso pessoal. Por isso, a apreciação por tecnologias bem desenhadas aumentou. O relatório indica que, de acordo com a pesquisa Deloitte Global Marketing Trends Consumer Pulse, 63% dos entrevistados acreditam que usarão mais plataformas digitais após a pandemia. Além disso, 66% concordam que o período fez com que as plataformas preocupadas com design fossem encaradas com mais apreço.

A busca por acessibilidade digital também entrou em pauta. Segundo o estudo Trends 2021, o aumento da digitalização deixa ainda mais evidente a necessidade de tecnologias acessíveis – termo que registrou aumento de 170% em buscas no Google Trends – a pessoas com deficiência.

Uma vez que o deslocamento e compras presenciais foram minimizados, as empresas buscaram se reinventar para alcançar o consumidor através da Internet. Foi o caso da Shopify, que viu suas conversões aumentarem em 250% com um provador virtual aos clientes. Companhias como Ikea e Sephora foram algumas das que disponibilizaram aplicativos para que os consumidores possam experimentar os produtos que desejam comprar através da realidade aumentada, gerando entretenimento e brand experience. 

No comércio, os QR codes dominaram as buscas. Houve um disparo de 170% nas buscas por “leitor de QR code”. O uso da tecnologia vai desde acesso a sites em live streamings até o acesso de cardápios virtuais. Também, 48% dos brasileiros já realizaram pagamentos utilizando o recurso. O uso foi impulsionado pela preferência à segurança e higiene durante a pandemia. A SA365 acredita que a tendência irá se manter para 2021, adicionada a um estilo de computação que prioriza a melhoria de serviços, maior liberdade de entrega em customização e a intensificação de questões de privacidade de dados.

Tecnologia, isolamento e diversão 

As incertezas quanto à imunização no País e a instabilidade financeira das famílias fizeram com que a busca por entretenimento dentro de casa fosse maior. Os serviços de streaming registraram o segundo maior Ibope do Brasil, ficando atrás da Rede Globo, apenas. O interesse em TV online e gratuita aumentou, enquanto o acompanhamento da cobertura jornalística apresentou queda de 11 pontos percentuais entre março e julho do ano passado – passando de 67% para 56%. Na contramão, grandes eventos como o Big Brother Brasil, Oscar e Copa América geraram expectativas no público. 

A SA365 registrou aumento de 80% e 22% nas buscas por aluguel de carros e automóveis usados, respectivamente. Ao mesmo tempo, o adiamento de planos pôde ser visto no crescimento da procura por feriados, especialmente o Carnaval. 

O futuro do trabalho híbrido

Um dos focos do levantamento foi a questão da hibridização dos escritórios. O home office passou a ser o principal estilo de trabalho de boa parte da população mundial e resultados revelam que o modelo remoto deve ser mantido no futuro. Pesquisa acerca do tema realizada pelo Capgemini Research Institute com 500 executivos mostrou que antes do surgimento da Covid-19, 60% dos entrevistados declararam que menos de 10% dos funcionários trabalhavam de casa. Para o pós-pandemia, essa parcela cai para 7%.

Os dados chamam a atenção para a criação de regimes híbridos de trabalho no futuro, além da criação de células independentes que não estejam necessariamente ligadas a empresas. 

Uma das consequências do trabalho remoto é a descentralização da mão de obra das capitais. A procura por moradias no interior foi três vezes maior em 2020 do que no ano anterior. Nesse sentido, mais pessoas buscaram por vagas destinadas exclusivamente ao home office – até o final de 2020, o número foi dez vezes maior do que no início do ano. O Trends 2021 também pontuou que o trabalho híbrido proporciona maior priorização de cursos online gratuitos que contribuam para a formação do indivíduo. 

“Eu protagonista”

A pandemia despertou novas necessidades nos consumidores. O interesse por resenhas de produtos para cabelos, pele e unhas disparou em 143%. Além disso, a cultura dos criadores de conteúdo também fez com que as pessoas buscassem mais protagonismo no que fazem, propiciando o surgimento de creators de “classe média” que gerem mais identificação com o público. As comunidades digitais para troca de informações também ganharam mais relevância. No primeiro semestre do ano passado, grupos de pais de crianças em idade escolar, jardinagem, ensino em casa, programas de TV, dicas e receitas no Facebook registraram aumento de membros.   

A saúde mental também esteve em pauta entre os brasileiros. De acordo com o Google Trends, em 2019 a busca por atendimento psicológico era de 63%, número que pulou para 90% em 2020. O relatório aponta que a procura foi impulsionada pelo medo e preocupação com o futuro. No Mercado Livre, as vendas da categoria “Fitness e Musculação” subiram 132%, dado que evidencia que a saúde física também foi pauta entre a população.

Cresceu também a preocupação com causas sociais e conscientização do meio ambiente. Tópicos como a diminuição da emissão de gás carbônico, papel de empresas perante à crise, confiança do consumidor em instituições e maior participação em estratégias de marketing são alguns pontos que deverão moldar o futuro do consumo em 2021.

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