A ASCENSÃO DO DIGITAL

Por Guilherme Novello

Nos últimos artigos da série Mídia, vimos como a pandemia do coronavírus impactou o consumo de mídia por geração. Nesse último artigo da série, analisarei a tendência do avanço da mídia digital sobre a física, catalisada pela pandemia.

  • O avanço da mídia digital

De acordo com a diretora de mídia e digital da Kantar, o cenário de mídia nunca foi tão volátil ou exigiu tamanha agilidade. Como vimos nos últimos artigos, todas as mídias digitais tiveram um enorme aumento no consumo durante a pandemia, principalmente vídeos online e televisão por streaming.

Entre os Millenials americanos, de 24 a 37 anos, 36% afirmaram um aumento no consumo de notícias online, enquanto apenas 19% falaram o mesmo sobre as notícias impressas, que, aliás, tiveram o menor aumento em todas as gerações. Confira como está, no Brasil, o mercado de imprensa online (ainda insuficiente para compensar a perda no faturamento do impresso).

O digital é um caminho sem volta. Foi a primeira vez que o jornal The New York Times gerou mais receita através da versão digital; já o The Washington Post chegou aos 3 milhões de assinantes digitais. Enquanto isso, o jornal impresso vem reduzindo muito a circulação, só o Estado de S. Paulo perdeu 50% na circulação impressa.

  • Corrida das grandes empresas para o streaming

A televisão por streaming também teve um enorme aumento no consumo, uma tendência ainda mais forte nas gerações mais jovens. Tendo isso em mente, as grandes empresas começaram a seguir o caminho demonstrado pelo Netflix, tornando o mercado altamente competitivo, com players como a Amazon (Prime Video), HBO (HBO Max), Disney (Disney+) e, no Brasil, a Globo, com a Globoplay, que já tem mais assinantes que a Netflix no país, liderando o mercado.

Além das possibilidades de lucro, o streaming pode servir como uma forma de mudar a imagem da mídia tradicional, tendo em vista a queda de confiança do consumidor. Uma pesquisa realizada nos Estados Unidos mostrou que 49% dos americanos, em 2020, têm pouquíssima ou nenhuma confiança nas emissoras de televisão em comparação com 27% em 1994.

  • Os porquês do digital

Mas por que o digital é tão forte? É possível destacar alguns aspectos:

Poder de escolha: o cliente pode escolher o que acompanhar, com a liberdade de abandonar aquilo que não gosta e tem mais opções;

Preço: os serviços digitais geralmente são mais baratos em comparação aos tradicionais;

Facilidade: o cliente tem todo o conteúdo na palma da mão, o digital é mais fácil e prático;

Mais transparência: quem está no digital precisa ser muito mais transparente para passar credibilidade e se sobressair entre os muitos outros players;

Talento: é o melhor que ganha no digital, até porque o mercado é mais competitivo e qualquer deslize pode acabar com alguém ou algum negócio.

Clifford Stoll, astrônomo e professor americano, escreveu um artigo para a Newsweek em 1995, onde disse: “A verdade é que nenhum banco de dados online substituirá o jornal diário.” Por isso é tão importante analisarmos essas tendências de forma mais profunda e com a mente aberta, ou acabaremos fazendo previsões como a de Stoll.

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